A História de Corina Portugal

Corina Antonieta Pereira Portugal nasceu em 17 de janeiro de 1869, no Rio de Janeiro. Filha de Antônio Fernandes Pereira Portugal e Deolinda Fazenda Pereira Portugal, perdeu a mãe ainda pequena e passou parte da infância sob os cuidados da avó e de uma tia.

Ainda muito jovem, Corina conheceu o farmacêutico Alfredo Marques de Campos, com quem se casou em 1885, aos 15 anos de idade. Após o casamento, o casal mudou-se para Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná.

Segundo relatos históricos, Alfredo era um homem violento, envolvido com álcool e jogos. Corina passou a sofrer constantes maus-tratos e ameaças dentro do casamento. Na noite de 26 de abril de 1889, Alfredo assassinou Corina com 32 golpes de punhal.

Após o crime, Alfredo tentou justificar o assassinato afirmando que teria agido para defender sua honra, acusando Corina de traição com o médico João de Menezes Dória. A acusação ganhou repercussão política na época, envolvendo disputas entre figuras influentes da sociedade paranaense.

Com o passar do tempo, cartas escritas por Corina vieram à tona, revelando os abusos e ameaças que sofria do marido. A população começou a perceber que a acusação de adultério era falsa. Mesmo assim, Alfredo Marques de Campos acabou absolvido pela Justiça.

A comoção popular transformou Corina Portugal em um símbolo de sofrimento, injustiça e fé popular. Seu túmulo, localizado no Cemitério São José, em Ponta Grossa, passou a receber visitas de pessoas que buscavam graças, proteção e ajuda para problemas familiares e amorosos.

Com o passar das décadas, Corina passou a ser conhecida como “a santa popular dos Campos Gerais”. O local de seu sepultamento tornou-se um espaço de devoção, repleto de flores, placas de agradecimento e pedidos deixados por fiéis.

A história de Corina Portugal inspirou livros, músicas, cordéis e radionovelas. Entre as obras mais conhecidas está o livro “Corina Portugal – História de Sangue e Luz”, do escritor Josué Corrêa Fernandes, responsável por resgatar detalhes históricos do caso.